terça-feira, 22 de julho de 2008

Sobre o livro “Aquecimento Global: frias contendas científicas” organizado por Eli da Veiga


O tratamento dos temas “aquecimento global” e “mudanças climáticas” na escola certamente representa uma oportunidade para trabalhar representações sobre a produção e a natureza do conhecimento científico, sobre as relações entre essa produção e aspectos políticos, sociais e econômicos. Mas representa também uma oportunidade para se trabalhar a Terra, ou seja, os processos terrestres e a relação do homem com esses processos. As abordagens dos conteúdos científicos na escola estão longe de trabalharem esse objeto de conhecimento e conseqüentemente de possibilitarem uma melhor compreensão, hoje fundamentalmente necessária, das relações entre homem (sociedade) e natureza.
Mas o tratamento desses temas na escola não é simples, porque se trata de temas complexos em todas as suas dimensões: política e geopolítica, científica, econômica, social e tecnológica. A grande, e às vezes única, fonte de informações sobre esses assuntos de que dispomos em português é a mídia. Embora extremamente importante, outras fontes são necessárias. Mas é difícil encontrá-las em português. Os próprios relatórios do IPCC estão disponíveis na internet em várias línguas, incluindo o chinês, o árabe, entre outras, mas não em português.
Considero que o livro organizado por José Eli da Veiga, que acabou de ser lançado pela editora Senac -SP vem de maneira brilhante suprir essa lacuna. O livro tem como título “Aquecimento global: frias contendas científicas” e além da excelente introdução do organizador, apresenta três capítulos. O primeiro, escrito pela geóloga do IGC da USP, Sonia Maria Barros de Oliveira, apresenta fundamentalmente as bases científicas do tema, do ponto de vista do IPCC. Em seu texto, embora não sejam apresentadas as visões científicas alternativas, são apresentadas os principais aspectos científicos que o tema envolve, assim como suas incertezas e os desconhecimentos da ciência a respeito do assunto. É perfeitamente possível se ter uma visão abrangente do que joga do ponto de vista científico nesse tema, do conceitos fundamentais envolvidos, convidando o leitor a futuros aprofundamentos. Destaco a perspectiva histórica e sistêmica sobre os fenômenos, a visão da questão em diferentes escalas de tempo e o papel que os incertos modelos climáticos têm nos debates.
Mas, se raramente encontramos textos que apresentem argumentos relacionados a diferentes posições, e o caso do texto de Sonia não é exceção, o livro se completa nesse aspecto com a presença do texto de Luiz Carlos Molión apresentando críticas à visão científica aparentemente predominante. Ou seja, trata-se do texto de um “cético”, grupo que certamente vem tendo menos possibilidades de pesquisar suas teses do que o grupo oponente.
Encerra o livro um artigo do próprio Eli da Veiga sobre a economia e a política do aquecimento global.
Certamente já há consenso de que esse tema merece ser trabalhado nas escolas. Seus aspectos polêmicos, controversos e sua dimensão política parecem já fazer parte de diversas propostas de abordagem. Mas acredito que a oportunidade de aprofundamento em conteúdos e visões científicas que comumente não vêm fazendo parte dos currículos escolares, ainda possa ser mais bem explorada. Os tradicionais conhecimentos científicos que vêm constituindo os currículos escolares nas disciplinas de geografia e ciências naturais não são suficientes para compreender os processos terrestres de forma sistêmica e histórica. Este livro certamente é uma contribuição para esse aprofundamento.

2 comentários:

Ricardo disse...

Os três cientistas que elaboraram o livro - Eli da Veiga, Sônia Barros e Luis Molion - estiveram na SBPC e participaram de uma mesa redonda intitulada: Aquecimento global: da incerteza à necessidade de agir. O que mais me chamou a atenção nessa mesa foi o posicionamento do físico Molion, que não aceita a idéia que o aquecimento global está sendo causado pelo homem, já que acredita que o CO2 que lançamos na atmosfera é 'ínfimo' e que o aquecimento que estamos presenciando é causado por um aumento na atividade solar. Para complicar ainda mais 'nossas cabecinhas' ele defendeu que o século XXI será caracterizado pelo inverso, um esfriamento global, com base em medições das águas do pacífico, que segundo ele, é o regulador climático global.
Um dos membros da mesa, o economista Clóvis Cavalcanti, argumentou que, diante da incerteza, é preferível que adotamos uma medida que diminua a emissão de gases de estufa. Se no futuro ficar comprovado que os céticos têm razão, será uma medida inócua sem efeito. Mas se continuarmos emitindo gases estufa, acreditando nos céticos, e no futuro eles estiverem errados, a catástrofe já estará feita e irreversível. Eu compartilho dessa posição.

Luis Fernandes disse...

Não sou cientista, tão pouco discuto sobre a questão, no entanto, se fosse para eu seguir uma teoria, seguiria a de Molion e do Ricardo Felicio. Desconheço o trabalho do Dr. Eli Veiga, porém, ao meu ver ele segue a mesma linha de pensamento dos dois Doutores já citados.

Voltando ao assunto, sinceramente, acredito que está história de "aquecimento global", "efeito estufa", "camada de ozônio" e outras tantas não passam de interesses econômicos.

A terra já sofreu diversas modificações ao longo do tempo sem a interferência humana. O homem não tem o "poder" para fazer algo do tipo, mas sim para degradar o meio ambiente! O que pode acontecer, é ficarmos sem água potável e sem alimento. O resto... O planeta fará por conta própria.